Por REVISTA COBERTURA - Edição 103 - Por Karin Fuchs - 28-6-2010
Mercado de planos odontológicos ainda é regido pelo preço, e tem longo caminho a evoluir
Na
quinta edição do Simpósio Internacional de Planos Odontológicos
(Sinplo) realizada em maio, em São Paulo, executivos do setor
apresentaram a evolução do mercado de planos odontológicos e modelos a
seguir para que a qualidade predomine sobre o preço. Na abertura,
Maurício Ceschin, diretor presidente da ANS, deixou claro que uma das
principais preocupações neste segmento é a profissionalização. "A área
da saúde é uma das mais promissoras na economia nacional e a percepção
do consumidor em relação à saúde vem mudando, principalmente a bucal.
No entanto, o crescimento acelerado deste segmento impõe um nível de
profissionalização que nem sempre se consegue cumprir. Um dos fatores limitantes é a organização do processo produtivo".
Assim como Ceschin, Wagner Barbosa de Castro, diretor do Sinog e do
Sindicato das Empresas de Medicina de Grupo (Sinamge), também aponta um
futuro promissor para o segmento odontológico, com barreiras a serem
superadas. "O mercado está concentrado nas pequenas e médias empresas
que respondem por 88% da atividade e faltam profissionais preparados na
área administrativa das operadoras".
Segundo ele, apesar da expressiva expansão dos planos odontológicos, na
ordem de 15% ao ano, é um mercado bem pequeno comparado com o tamanho
da população. "São 13 milhões de usuários de planos odontológicos, em
um universo de 191 milhões de habitantes". Predominância de mercado
Em planos odontológicos a predominância é das empresas de odontologia
de grupo, com 67% do total de beneficiários, em um universo de mais de
13,2 milhões de usuários. Já as cooperativas têm uma participação de
14,6% do mercado. "Apesar das cooperativas terem um crescimento
inferior em comparação às empresas de odontologias de grupo, elas são
predominantes no interior, enquanto as grandes estão nos principais
centros", analisa Paulo Hirai, diretor da SantéCorp, empresa
especializada em saúde corporativa.
Para Hirai, este cenário tende a continuar pelas cooperativas já
estarem enraizadas em cidades menores, o que não atrairá o interesse
das grandes do setor. Além disso,
ele prevê que o mercado continuará a crescer, mas a taxas inferiores.
"O menor crescimento deverá acirrar a concorrência com uma redução de
preço no mercado, sobretudo nos grandes centros urbanos. O mercado não
sabe avaliar qualidade e, por um bom tempo, preço será o fator
predominante". Uso da tecnologia como eficiência operacional
Em qualquer mercado, a diferenciação se faz pelo atendimento e
qualidade de serviços prestados ao consumidor e no segmento de planos
odontológicos não seria diferente. Na visão de Sergio Monaco, diretor
de Marketing e Vendas da Dexbrasil, falta às empresas do setor uma
utilização mais eficaz da tecnologia. "Ela é uma ferramenta não apenas
para a redução de custos operacionais, como também para a expansão dos
planos odontológicos, novos nichos de mercado e novos tipos de planos
com coberturas de prevenção e tratamentos alternativos".
Como um alerta, ele aponta a pouca ênfase nas ações de prevenção e
promoção, ausência de indicadores de desempenho da rede credenciada e
pouca pesquisa de satisfação junto ao usuário e prestadores de serviços
por parte das empresas do setor, que podem ser revertidas com o uso da
TI. "Há tempos, TI deixou de ser um centro de custo e passou a ser um
centro de resultados". Tamanho não é documento
Nas projeções de Octávio Antonio Filho, responsável pelos Planos
Odontológicos da MetLife, nos próximos cinco anos este mercado deve
atingir o mesmo patamar dos planos de saúde em número de beneficiários
e, um dos desafios, é a formação da rede credenciada. "Existe uma
demasiada desaprovação de profissionais e falta de padronização , além
de compensação inadequada. É preciso buscar formas mais adequadas de
remuneração
e oferecer programas de retenção do dentista e de educação continuada
para melhorar a qualidade no tratamento e atendimento. O resultado é
mais dinamismo e credibilidade", defende. Ainda de acordo com o
executivo, analisar a rede credenciada pelo seu tamanho não faz
sentido, já que o que deve prevalecer é a percepção do usuário em
relação ao serviço que lhe foi prestado.
Para um mercado que tem um potencial de no mínimo triplicar, seguindo
os números dos já beneficiários de planos de saúde, cerca de 46
milhões, os desafios são grandes, mas não impossíveis de serem
superados. O primeiro deles é ditar as regras pela qualidade e não por
precificação. Um modelo americano
Como parte das ações da Healtways, empresa americana especializada em
gestão de doenças crônicas, foi desenvolvido um programa que tem como
foco ajudar pessoas a se manterem saudáveis: reduzir riscos associados
a estilos de vida; e otimizar cuidados para pessoas doentes. O
resultado foi uma redução de 16% nos custos para todos os grupos de
clientes com doenças principais, em apenas um ano de sua implementação.
O programa engloba uma série de ações, entre elas um trabalho in loco
com a participação de enfermeiras (levantamento de informações
referentes aos associados) e um portal de saúde com várias dicas e
também com uma área exclusiva aos clientes em que eles especificam o
seu perfil e estilo de vida. A partir do cruzamento das informações são
realizados programas em prol da qualidade de vida dos associados.
Um modelo que pode ser transferido às operadoras de planos
odontológicos, conforme explica Nicolgas Toth Jr., gerente geral para a
América Latina da Healthways: "o desenvolvimento de um portal de saúde
especificamente para planos odontológicos, por exemplo, tem baixo custo
e permite ações junto aos associados, gerando informações que permitem
ajudá-lo proativamente. Incentivando, por exemplo, os que mais têm
risco de complicações a visitarem o dentista".