Amil oferece valor de controle para reembolso da Medial
Por Revista Cobertura - 14-4-2010

A Amil anunciou ontem as condições da incorporação da Medial, cujo controle foi adquirido em novembro do ano passado por R$ 612 milhões. Atualmente, apenas 2,4% do capital da Medial permanece na bolsa. A maior parte foi adquirida em janeiro pela Amil, na oferta aos minoritários por conta da compra do controle.
A operação tem duas etapas. Primeiramente, as ações da Medial serão incorporadas pela Amil Assistência de Saúde, cujos papéis não são negociados no mercado, na proporção de 2,68 novos para cada um detido. Em seguida, a Amil Assistência será absorvida pela Amil Participações, listada na Bovespa. Nessa etapa, cada ação d
a Amil Assistência será
trocada por 0,30 da Amil Participações.
Na prática, significa que cada ação da Medial terá direito a 0,804 papel da Amil Participações, listada na BM&FBovespa.
Pelo fechamento de ontem, essa relação equivalia a R$ 11,41. Os papéis da Medial fecharam o pregão valendo R$ 16,20, após valorização de 5,9%.
O motivo da alta das poucas ações da Medial no mercado, contudo, não tem a ver com relação de troca, estabelecida após o trabalho de um comitê independente realizado entre os dias 1º e 12 de abril.
A valorização reflete a decisão da Amil de oferecer, como direito de retirada para a incorporação, o mesmo preço pago pelo controle da Medial aos antigos donos e aos minoritários, na oferta obrigatória: R$ 17,50.
O direito de retirada ou recesso é um benefício garantido pela Lei das Sociedades por Ações para incorporações de companhias que não pertençam a índices de liquidez comprovada. Entretanto, tal direito prevê o recebimento do valor patrimonial das ações. No caso da Medial, tal valor, segundo os laudos utilizados para a operação, é de R$ 6,57, com bens atualizados a mercado.
Erwin Kleuser, diretor de relações com investidores da Amil, explicou ao Valor que a decisão de oferecer o mesmo preço pago na oferta obrigatória deve-se ao perfil dos investidores que permaneceram na base da companhia. Ele explicou que, em sua maioria, tratam-se de pessoas físicas que, por alguma razão, perderam a janela do leilão.
O executivo conta que logo após a oferta foi procurado por diversos acionistas que tentaram explicar a situação e pediram para serem comprados, o que não era possível na ocasião. "Dessa vez, pretendemos fazer um trabalho proativo, de entrar em contato com os acionistas."
Na hipótese de todos pedirem a retirada, o desembolso da Amil chegará a R$ 29,4 milhões.